sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ricardo Gondim: O HEREGE DA VEZ!

Ricardo Gondim "O herege da vez"




Republico aqui a Carta da liderança dos Jovens da Betesda em São Paulo ao Pr. Ricardo Gondim, por concordar com ela e não me fazer de louco num mundo de lúcidos que não conhecem o amor incondicional do Deus que eles pregam...:

(Para entender mais um pouco sobre o assunto clique aqui e leia na íntegra a entrevista do Pasto Gondim à Revista Carta Capital)



"Em tempo de mentiras, fofocas, intrigas e má fé, é importante descer do muro e se posicionar. Quem assim orientou foi o Dr. Martin Luther King Jr., que em sua carta da prisão em Birminghan, de 1963, escreveu: “Mais nociva que a minoria de homens maus que criam a injustiça é a maioria de homens "bons" que não fazem nada para denunciá-la”.
Dr. King dirigiu a carta aos pastores brancos que o pressionavam a se calar a respeito dos direitos civis dos negros, criticavam suas manifestações, chamavam King de extremista, anarquista, ateu e humanista.
Isso aconteceu numa época em que ter a pele escura, nos EUA, era sinônimo de “não ser gente”. Quem era o Dr. King para querer transformar negros em gente e lhes dar direitos civis?
O argumento vigente contra os direitos civis dos afro-americanos vinha da Bíblia. A maioria dos cristãos (brancos, claro) afirmava que Deus não queria que os diferentes descendentes de Noé fossem misturados aos brancos puros, alvos mais que a neve.
Da boca do falecido senador norte-americano Absalom Robertson - pai do famoso televangelista Pat Robertson - veio a conclusão que representava a mentalidade branca cristã norte-americana na década de cinquenta: “Eu certamente gostaria de ajudar as pessoas de cor, mas a Bíblia diz que não posso” [i].
Cada época tem seu argumento bíblico conveniente para oprimir as minorias.
Voltando ao assunto, não podemos nos calar diante de uma cruel injustiça que estamos testemunhando. Queremos fazer algo para denunciá-la. Não podemos ver lobos em pele de cordeiro dar a última palavra como se fosse verdadeira.
A injustiça a qual nos referimos é o violento e sistemático ataque ao Pr. Ricardo Gondim. Não é de hoje que os ataques acontecem, mas pioraram dramaticamente depois de sua entrevista à Carta Capital,  quando se posicionou a favor de estender direitos civis aos homossexuais, garantindo-lhes o reconhecimento jurídico de união estável perante o Estado.
A partir daí mentiras foram inventadas, de propósito, por pessoas de má fé que não gostam do Gondim e que queriam, a todo custo, que sua voz fosse enfraquecida no universo evangélico brasileiro. Ou então, pessoas que viram nesse momento uma oportunidade de aparecer, às custas do nome do Ricardo.
Interessante é que a maior parte de seus acusadores e perseguidores nunca leu um livro que ele escreveu, ou um artigo, uma entrevista, nunca foi à um culto na igreja Betesda do Jardim Marajoara, em São Paulo – onde ele é pastor e prega todos os domingos – não conhece os membros da Betesda e não sabe quase nada sobre a história de vida do Gondim nem da Betesda. Apenas repete o discurso inflamado de seus líderes e pastores que vêem no livre-pensar do Gondim uma ameaça.
Afirmam que o pensamento do Gondim é uma ameaça à Bíblia e à fé cristã - mas é claro que isso é pretexto, para não dizer balela. Quem conhece a Betesda e o Gondim sabe que ele prega todos os domingos na Bíblia e que proclama em alto e bom som a fé cristã: Jesus é Deus encarnado, nascido de uma virgem por meio do Espírito Santo, morreu na cruz por amor de nós, a fim de nos salvar, e ressuscitou no terceiro dia vencendo a morte, estendendo a ressurreição a todos os homens e mulheres por meio da fé. Os que o consideram ameaça, portanto, consideram contra si mesmos, suas doutrinas maléficas, suas estruturas de poder e manipulação mental de gente honesta e de boa fé.
O Gondim virou o herege da vez. O inimigo da vez. Nada mais mesquinho e estranho ao Evangelho - que nos convida a amar os inimigos, mas parece que o universo evangélico se especializou em produzir inimigos para odiá-los em comunhão.
“Heresia” é uma palavra criada para tentar invalidar ideias opostas às ideias vigentes. Criar hereges é fonte de alianças maquiavélicas, para calar a boca de quem incomoda as maiorias, sempre poderosas. O Dr. Martin Luther King Jr. também já foi acusado de herege pelos pastores poderosos de sua época - e libertou um povo oprimido, dando a eles direito à cidadania. Lutero também já foi acusado de heresia, e é reconhecidamente o maior herege da Modernidade - é só por causa dele que temos livre acesso e interpretação da Bíblia. Os apóstolos foram chamados de hereges por anunciar que Deus havia encarnado em Jesus Cristo. E, por fim, Jesus já foi chamado de herege por se posicionar ao lado de uma mulher adúltera, relativizando uma lei mosaica, e libertando-a de um assassinato por apedrejamento - por essas e outras, foi parar numa cruz.
Heresia pressupõe uma verdade absoluta. Na fé cristã essa verdade é o Amor, não uma doutrina ou um dogma. Por isso não consideramos o Ricardo Gondim um herege, pois nunca o vimos relativizar a revelação que Deus é Amor. Ele é um herege apenas para quem considera alguma doutrina e lei absolutas. Mas nesse caso, King, Lutero, os apóstolos e o próprio Jesus também eram, então o Gondim está em ótima companhia, e seguindo um excelente caminho.
Se for assim, ainda bem que há hereges, e que ele é um! Nesse caso, aceitaremos o adjetivo como elogio.
Escrevemos para nos posicionar ao lado de quem tem nos ensinado a pensar, a ser livres e a amar. Escrevemos para dizer “obrigado” e “estamos juntos”, a quem nos tem ensinado a crescer a amadurecer na fé cristã.
Como escrevemos em 2007, voltamos a afirmar: aprendemos que qualquer um que tenta abrir os olhos de pessoas encabrestadas pela religião, acaba sendo queimado na fogueira da instituição.
Estamos seguros que o Verdadeiro Amor lança fora todo medo, e por isso não temos medo de caminhar com alguém que nos ensina a lidar responsavelmente com a liberdade do amor.
Obrigado Pr. Ricardo Gondim, conte com a gente. Sua vida tem sido inspiração para todos nós.
Liderança de Jovens da Betesda em São Paulo
Lucas Lujan
Andréa Lujan
Sheyla Pereira
Vitor Príncipe
Heloisa Príncipe
Adilson Lopes
William Romanini
Rose Guedes
Eliane Leite
Bruno Reikdal
William Barros
Joyce Banzato
Igreja Betesda no Jardim Marajoara

Fabio Guerra
Igreja Betesda em Diadema

Juliana Caroprezo
Igreja Betesda na Zona Leste

Marcos Ferreira
Igreja Betesda em Jardim das Fontes"

Richard Castilho
Igreja Betesda em Osasco

Luis Dias
Igreja Betesda em Vila das Belezas

A Ponte.




Sem saber aonde chegar
Os caminhos não nos dizem para que servem
...
Sem a casualidade dos encontros
A vida se mostra insípida e fugaz
 ...
Sem a esperança
Toda nossa caminhada é cega
...
E quando nos conhecemos melhor
Tudo se transforma ao nosso redor
E descobrimos que as coisas estavam sempre no lugar certo
Nós, é que às vezes não percebíamos...
...
Agora que a ponte está construída
Sorrimos quando passamos por ela, como se vencêssemos o rio
Enquanto o rio sorri, por não ter se deixado vencer...
...

Ao amor de verdade (que é o único que existe)
Me deixo vencer...


terça-feira, 19 de abril de 2011

Tirando a sujeira de meus pés.

Por Júh Costa no Rabisco Criativo



Em tempos onde se prega a mudança de atitudes em prol da vida no planeta, surge uma famosa marca de calçados e acessórios surge com uma nova e absurda coleção. Na contramão do desenvolvimento sustentável, a Arezzo lançou uma coleção com peles verdadeiras de indefesos coelhos, cabras, raposas e outros tantos que nem foram citados. Moda? Para mim isso tem outro nome: crueldade. (Entenda aqui.)
Li em alguns blogs pessoas defendendo a marca, justificando que se nós comemos a carne de animais, porque não usá-los como "alimento" da moda.
Eu digo o porquê. Porque não estamos mais vivendo em cavernas obscuras. Já descobrimos o conhecimento ao sermos apresentados a luz. Não faz sentido sucumbir à própria ignorância.
Atitudes como a dessa empresa não é algo inédito. Inúmeras marcas pelo mundo levantam essa bandeira, segundo elas "em nome da moda!" 
Meu sentimento? Vergonha! Aliás, vergonha de ser humana é o que mais tenho sentido nos últimos tempos e tantas vezes já citei isso aqui no blog.
Ecochata? Ambientalista frustrada? Já ouvi todo tipo de palavras que ridicularizam minha condição de defesa da vida do planeta.
Não sou um produto ecologicamente correto. Aliás, não teria como eu ser vivendo em uma sociedade que não me oeferece recursos para isso. 
Mas tento em atitudes e palavras fazer a parte que me cabe.
Matar animais para se vestir?Algumas pessoas já estão "se matando" pelas primeiras peças da famigerada coleção. Comprem, usem, desfilem por aí todo orgulho de se sentir cúmplice de assassinos disfarçados.
Desejo que um dia sua pele seja tão cobiçada quanto a desses animais e quem sabe, também um dia, eu a use. Não para me vestir, mas para limpar a sujeira dos meus pés, adquirida nos lugares por onde ando nesse mundo podre.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um herói para o Bial!

Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã , cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'


Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares , 3 mansões - uma, em Ponta Porã , avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.


'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.

Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada..'

Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.


Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.'

Sei que poucos tomaram conhecimento desse caso, inclusive eu, soube porque uma amiga me mandou um e-mail, mas fico pensando, como o Bial chamaria esse Senhor, se os BBB's são heróis, o que seria esse Homem?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tasso da Silveira!

Dias viajando pelo sertão, conhecendo gente, desbravando estradas, numa perspectiva de estar trilhando algo bom e novo.
Há tempos que as coisas não pareciam acontecer, tudo dava errado, de repente surge uma oportunidade e você sente que ainda existe uma janela do céu aberta para você e resolve voltar a acreditar nas coisas.
Mas uma coisa abalou a gente esses dia, quando Wellington Oliveira entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, na rua General Bernardino, em Realengo, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro e, com dois revólveres, entrou nas salas de aula e atirou na direção de crianças. Doze morreram e dez continuam internadas.
Não precisa ser pai ou mãe para se sentir chocado e comovido. Nunca gostei de postar nada aqui sobre notícias desse tipo para não parecer piegas ou apenas mais uma voz contra algo que esteja na mídia, mas vou deixar aqui um poema do Tasso da Silveira, poeta que dá nome a escola, local da covardia de uma mente doentia.

FRONTEIRA

Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa...

Há uma saudade da vida
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Gisberta.

Gisberta era gorda, pesava uns 130 quilos, isso quando parou de pesar na balança da padaria, (sempre achou estranho que tivesse uma balança na padaria) onde sempre depois do colégio passava pra comprar os sonhos.
Naquele dia (que parecia um dia normal), tudo começou como sempre, levantou às 6:31 em ponto, tomou banho, pôs a farda da empresa onde trabalhava, tomou café e saiu, morava perto do emprego, podia andar devagar, pois o caminho era gostoso, cercado de flores e com árvores por toda sua extensão, o clima bom do mês de maio a fez se sentir bem.
Estranhou quando seu Alberto não respondeu ao seu bom dia, mas pensou que talvez os problemas com Dona Elvira, o tenha feito ficar sisudo, tinha sido assim nos ultimos dias.
Andou pelo corredor e ninguem parecia lhe notar, estranhou mais ainda quando não achou sua cadeira (a reforçada) próxima a sua mesa.
-Onde está a Gisberta? ela não é de se atrasar... - falou Rosinha, a de nariz grande e pontudo.
-Olha eu aqui, disse Gisberta em tom jocoso, mas ninguém lhe deu ouvidos.
Começou a achar que era brincadeira, olhou em volta e todos estava absortos em seu afazeres, ninguem lhe deu ouvidos.
Dirigiu-sa a Gilza sua melhor amiga (confidente de regimes e dietas), mas a morena sequer lhe deu atenção.
-Gente, vamos parar com essa brincadeira, por favor...
Nnguém lhe reponde ou sequer lhe dirige os olhares.
Seu Alfredo, o chefe da repartição entra apressado e grita:
-Cadê a gorda?
-Não veio ainda, disse Matias, de cabelo colado na testa para disfarçar uma cicatriz.
-Que porra, logo hoje, que é aniversário de seu Gomes, agora fudeu... liga prá ela.
-Ja ligamos mas ninguem atende, já estamos começando a ficar preocupados, ela nao é  de se atrasar, disse Rosinha se aproximando insinuosamente para seu Alfredo (era época de promoção e aumentos).
Gisberta falou alto, gritou, tentou tocar nas pessoas, mas nada acontecia, estava mesmo invisível, ou pior: "morta".
Um frio lhe percorreu a espinha, então era assim que era estar morta? como se tivesse tudo bem? e a luz, e os anjinhos, e as trombetas, essas coisas... e as outras pessoas mortas? onde estariam?
Uma certa tranquilidade tomou conta de sua alma, se era assim, tudo bem, ficou mais ansiosa que com medo do que poderia vir...
Então já que era assim, resolveu andar pelo prédio enorme, onde funcionava o Fórum da cidade, ao qual a empresa onde trabalhava prestava serviços na área de informática.
Andou pelos corredores e brincava em assoprar perto das orelhas das pessoas, que sentiam, mas não sabiam explicar o que era...
Queria ir para casa, ver seu corpo morto sobre a cama, não se lembrava de ter sentido dores ou qualquer mau estar, estava até se sentindo com saúde esses ultimos dias, poderia apostar que estava até perdendo peso.
O tempo foi passando e Gisberta andou por todas as salas, assistiu audiências, viu acordos, ouviu fofocas, entrou no banheiro dos homens e no das mulheres viu Ana e Bruna se beijando...
O dia passou rápido, voltou para dar uma ultima olhada em sua sala antes de ir para casa, lá encontrou todos reunidos e cantando parabéns para Seu Gomes, o grisalho. O homem mais bonito que tinha visto em toda sua vida. Esperou para ouví-lo falar, adorava a voz grossa dele. Em sua fala Gomes perguntou pela Gisberta, o que a deixou bastante convencida.
Hora de voltar prá casa, estava nervosa para ver o que tinha acontecido, andou o mais depressa que pôde. Suas mãos tremiam ao girar a chave na maçaneta, achou estranho que a louça do café da manhã estivesse sobre a mesa, pois se estava morta desde cedo, como poderia ter comido alguma coisa, será que morrera apenas depois que saiu de casa? Receosa foi ao quarto e não viu seu corpo. Sentou-se ao lado da cama e um sono como sem igual tomou conta de si, dormiu sem tomar o mágico banho da noite.
No dia seguinte tudo de novo, não entendeu nada, então achou que tinha sonhado.
Mas ao chegar ao trabalho todos perguntaram porque não tinha vindo no dia anterior, pois até seu Gomes, quando agradecia pela homenagem de aniversário, tinha perguntado por ela.
Olhou Para Ana e Bruna que trocavam olhares, olhou para todos e disse:
- Ontem não deu, tava a fim de sumir por uns tempos, acho que consegui.
Não entenderam e voltaram ao trabalho.
Gisberta nunca teve coragem de contar que um dia tinha ficado invisivel.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil, Por Luiz Fernando Verissimo.



Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
 Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
 Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.